terça-feira, 13 de novembro de 2012
"A Pomba" de Patrick Süskind
Li este livro pela primeira vez há 20 anos e foi com um prazer renovado que o reli de um só fôlego. E há dois motivos para isso: primeiro, é um livro com pouco mais de 80 páginas que se lê em hora e meia; segundo, o ritmo da escrita é quase alucinatório... ou não fosse a personagem principal um obsessivo-compulsivo de manual psiquiátrico.
Jonathan vive tranquilamente, segundo uma rotina milimétrica, há mais de trinta anos e assim pretende continuar até ao fim dos seus dias. Trabalha como porteiro de um banco de Paris e regressa todas as noites ao seu quarto, no mais profundo isolamento e alienação. Evita qualquer contacto humano e qualquer alteração ao seu monótono quotidiano.
"Dava-se por muito satisfeito com a sua sorte, pois não gostava de acontecimentos e detestava em particular aqueles que lhe abalavam o equilíbrio interior e perturbavam a ordem externa da vida".
"E nunca lhe teria passado pela cabeça que ainda lhe pudesse vir a acontecer qualquer coisa importante a não ser morrer."
A sua vida é no entanto drasticamente virada do avesso quando, numa manhã, ao abrir a porta do seu quarto, se depara com uma pomba...
A história desenrola-se ao longo de um dia apenas, num monólogo enlouquecido, quase delirante, do personagem, que vê o seu mundo ruir como resultado de tão absurda catástrofe...
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